Bem, dando continuidade ao assunto abordado no post anterior, o que seria o tal problema de relacionamento entre os seres vivos e sua comida?
Imagine que você é um camaleão caminhando por este mundo vasto, misterioso e colorido, repleto de curiosidades a cada passo quando, de repente, se depara com uma linda borboleta. Olha para ela e a admira. Você, jovem e intrépido, nunca vira nada igual antes. Seus olhos dançam para todos os lados analisando a novidade. Mas, falta-lhe algo: sentidos refinados para que possa interagir com sua descoberta de maneira apropriada.
Sendo um camaleão, você não dispõe de mãos desenvolvidas o bastante para poder tocar e sentir a borboleta. Não tem um olfato tão apurado para poder cheirá-la profundamente. Mas o desejo de aproximação e interação é tanto que você, desesperadamente, usa da única maneira pela qual tem certeza que terá o melhor contato com o belo inseto descoberto: abrir sua boca e estender sua língua.

Então, num súbito “slap”, você, camaleão curioso, está interagindo da melhor forma que poderia com a bela borboleta. Basicamente o pensamento do camaleão foi algo assim: “O que é isso? Algo novo! Que excitante! Preciso saber mais! Preciso descobrir! Preciso… preciso… que esteja perto. Preciso que esteja em mim!”
A aqueles que estão achando que o camaleão estava meramente com fome, digo que são muito superficiais. Acham isso porque possuem mãos, pés, olhos e uma infinidade de habilidades que os permitem sair por aí e abraçar alguém, sem que seja necessário abocanhá-lo. Mas para seres diferentes, comer sua descoberta pode fazer todo o sentido. Assim, vê-se que o ato de saborear a borboleta pode ser apenas uma tentativa subdesenvolvida de relacionar-se com ela.
Isso não acontece apenas com o camaleão, é claro. Todos os animais agem assim. Até mesmo os macacos, que possuem membros bem desenvolvidos e seriam bem capazes de chegar dizendo um “e aí, mano!” para qualquer ser diferente que encontrassem. Mas, ao invés disso, pegam suas descobertas e a colocam na boca. Não estão simplesmente comendo tudo o que vêem. Estão se relacionando! Explorando e descobrindo! Não acha possível? Bem, não sei se você está lembrado, mas também é um animal. E se acha que os humanos não fazem coisas desse tipo, porque não vai dar uma olhada no comportamento dos filhotes de sua espécie?
Todas as crianças, bem como os camaleões, são curiosas e exploradoras. Tentam da melhor maneira que podem relacionar-se com o mundo novo à sua volta. Não tendo ainda dominado a complexta técnica do “e aí, mano!”, fazem uso de seus instintos e colocam dentro de suas úmidas e banguelas bocas tudo o que encontram pela frente. Seria fome? Não ainda… Eles só se tornam Pacmen quando crescem. Logo, toda esta comilança NÃO é motivada apenas pelo vazio no estômago (e não se preocupem, a garotinha não devorou o cachorrinho).
Mas ainda há algo extremamente importante a ser dito sobre o homem Pacman. E talvez este seja o ponto mais importante deste tema. Então, vão tomar uma água e pegar um pouco de vida. Falaremos dele num próximo post.
Ainda estou aguardando pra descobrir que raios é esse homem Pacman… será aquelas pessoas que vivem nas raves, atrás de pílulas de poder?
Hmmmm, interessante ponto.
Realmente, crianças humanas conhecem as coisas colocando-as na boca.
E pode ser assim com os demais animais, por que não? Mas não sei se chega ao ponto de suprimir a necessidade da cadeia alimentar, afinal há inúmeros animais carnívoros. Então como disassociar os insetos que o camaleão comeu porque estava com fome dos que comeu porque queria conhecer melhor?
É, separar não dá. Mas o ponto aqui é: não podemos dizer que, sempre que ele abre a boca, é porque a barriga estava vazia.
Assim que pudermos conversar com os camaleões (e acredite, estamos trabalhando nisso), saberemos com certeza! Hehehe