Feeds:
Posts
Comentários

Archive for fevereiro \16\UTC 2009

Orcs no playground

Eis que o mundo é mau! Hmm… Mau? Calma, não devo ter me expressado direito. O mundo não é mau. As pessoas dentro dele é que o tem feito parecer um lugar muito chato de se viver.

powerranger

Alguma vez você já parou, olhou à sua volta e disse “não consigo mais” ? Bom, sendo bem sinceros, quem nunca sentiu, ao menos uma vez, que não poderia mais continuar? No entanto, é quando nos vemos envolvidos pela desesperança que é o momento de nos lembrarmos de um detalhe importante: o desespero não é uma coisa imposta, ele nos é oferecido. Cabe a nós aceita-lo ou não.

sephirot_pear

Quando o “mundo” nos sufoca com todo o seu caos, cabe a nós escolhermos a atitude que adotaremos diante dele. As experiências nos instruem e amadurecem e isso é bom.  Por quê? Porque  temos dentro de nós um organismo quente e pulsante. O sangue que corre em nossas veias nos impele a viver. Por mais que o mundo esteja distorcido, a atitude que escolheremos diante dele ainda conta. Se você foi traído pelo seu melhor amigo, se havia orcs demais e você não tinha buffs, se o cara do EcoSport te cortou no trânsito e ainda pegou sua vaga no estacionamento… Sua reação será escolha do destino? Não. Ela está em suas próprias mãos. É sua.  Somente sua.

E sabe o que é irônico? Não passamos todos de crianças ingênuas e desorientadas em um grande playground cercado.  Tão ocupadas estamos negligenciando uns aos outros, desejando ter o controle sobre os melhores brinquedos ou ficando tristes por termos sido maltratadas que nem sequer lembramos de ter a curiosidade de buscar o que existe do lado de fora dessas grades.

gravity

Sim, o playground é um lugar bonito, mas a vida… é muito mais do que um pequenino playground cercado. Ele deveria nos incentivar a sermos curiosos pelo que há lá fora, afinal, se aqui dentro tem tanta coisa legal, imagina o quê poderá existir do lado de lá? Ao invés disso, nos ocupamos em transformar nosso pequeno cubículo em um inferno particular.

No final das contas, enquanto a falsa ilusão de controle e superioridade for tão importante assim para nós, continuaremos prestando atenção demais no número de orcs que nos cercam e esquecendo de que, no fundo, abrir ou fechar a porta do cercadinho é algo que cabe a nós mesmos.

Anúncios

Read Full Post »

Bem, dando continuidade ao assunto abordado no post anterior, o que seria o tal problema de relacionamento entre os seres vivos e sua comida?

Imagine que você é um camaleão caminhando por este mundo vasto, misterioso e colorido, repleto de curiosidades a cada passo quando, de repente, se depara com uma linda borboleta. Olha para ela e a admira. Você, jovem e intrépido, nunca vira nada igual antes. Seus olhos dançam para todos os lados analisando a novidade. Mas, falta-lhe algo: sentidos refinados para que possa interagir com sua descoberta de maneira apropriada.

Sendo um camaleão, você não dispõe de mãos desenvolvidas o bastante para poder tocar e sentir a borboleta. Não tem um olfato tão apurado para poder cheirá-la profundamente. Mas o desejo de aproximação e interação é tanto que você, desesperadamente, usa da única maneira pela qual tem certeza que terá o melhor contato com o belo inseto descoberto: abrir sua boca e estender sua língua.

camaleao

Então, num súbito “slap”, você, camaleão curioso, está interagindo da melhor forma que poderia com a bela borboleta. Basicamente o pensamento do camaleão foi algo assim: “O que é isso? Algo novo! Que excitante! Preciso saber mais! Preciso descobrir! Preciso… preciso… que esteja perto. Preciso que esteja em mim!”

A aqueles que estão achando que o camaleão estava meramente com fome, digo que são muito superficiais. Acham isso porque possuem mãos, pés, olhos e uma infinidade de habilidades que os permitem sair por aí e abraçar alguém, sem que seja necessário abocanhá-lo. Mas para seres diferentes, comer sua descoberta pode fazer todo o sentido. Assim, vê-se que o ato de saborear a borboleta pode ser apenas uma tentativa subdesenvolvida de relacionar-se com ela.

babyIsso não acontece apenas com o camaleão, é claro. Todos os animais agem assim. Até mesmo os macacos, que possuem membros bem desenvolvidos e seriam bem capazes de chegar dizendo um “e aí, mano!” para qualquer ser diferente que encontrassem. Mas, ao invés disso, pegam suas descobertas e a colocam na boca. Não estão simplesmente comendo tudo o que vêem. Estão se relacionando! Explorando e descobrindo! Não acha possível? Bem, não sei se você está lembrado, mas também é um animal. E se acha que os humanos não fazem coisas desse tipo, porque não vai dar uma olhada no comportamento dos filhotes de sua espécie?

Todas as crianças, bem como os camaleões, são curiosas e exploradoras. Tentam da melhor maneira que podem relacionar-se com o mundo novo à sua volta. Não tendo ainda dominado a complexta técnica do “e aí, mano!”, fazem uso de seus instintos e colocam dentro de suas úmidas e banguelas bocas tudo o que encontram pela frente. Seria fome? Não ainda… Eles só se tornam Pacmen quando crescem. Logo, toda esta comilança NÃO é motivada apenas pelo vazio no estômago (e não se preocupem, a garotinha não devorou o cachorrinho).

Mas ainda há algo extremamente importante a ser dito sobre o homem Pacman. E talvez este seja o ponto mais importante deste tema. Então, vão tomar uma água e pegar um pouco de vida. Falaremos dele num próximo post.

Read Full Post »

Se você parar para pensar seriamente, vai ver que, na luta pela sobrevivência de todas as formas de vida neste planeta, o mais forte sempre come o mais fraco. O que não fica claro nessa comilança toda é se eles estão sempre tentando matar a fome, pois às vezes os seres vivos parecem apenas não conhecer qualquer outra forma de interagir com outro, se não o comendo. Observe a científica e profissional ilustração da cadeia alimentar a seguir.

ciclo

O que? Nunca viu um leão comer uma águia? Bem, acontece! É raro… mas acontece. De qualquer forma, o que você deve notar é a posição específica de cada animal dentro da cadeia. Cada um deles come apenas um item à sua frente (e não venha me dize que leões também comem coelhos). O único animal que come TODOS os itens à sua frente é o homem. Por isso, acredito que a melhor forma de o representar seja através da imagem do Pacman.

Você realmente acha que o homem tem tanta fome assim? Para ele, tudo que é orgânico pode ser comido, independente de horário, lugar, crenças ou idéias. O homem caminha e come. Come para crescer, come para se divertir, come para passar o tempo, come para reproduzir… e por aí vai. É claro que a captação de energia é essencial ao funcionamento de nosso corpo. Mas será que, ao nos preocuparmos tanto com o mastigar e saborear, não acabamos criando uma espécie de “barreira evolutiva” no que diz respeito a maneira como nos alimentamos? O sentido original já se perdeu e é bem possível que tenhamos nos atrofiado no aspecto “absorção”.

burpExiste um médico (e infelizmente não encontrei nenhum link sobre isso para postar aqui) que sugere que a própria digestão é, em sí, uma forma de defesa do organismo contra um elemento invasor. Ou seja, aquilo não deveria estar alí. Não me soa como uma idéia tão louca assim (aliás…). Ele pode estar certo. Mas não tenho muitos detalhes sobre sua teoria. Se alguém achar alguma coisa, pode enviar para nós. Ficariamos muito agradecidos. 🙂

De outro lado temos alguns espiritualistas que falam sobre nossa capacidade de absorver energia vital do universo. Contudo, ainda acho que, devido a natureza bruta e material de nosso corpo, é difícil mudar radicalmente nosso costume alimentar. Não adianta querer olhar para o Sol e esperar que ele mate sua fome assim de repente. Como eu disse antes, estamos atrofiados neste quesito. A questão é que, se não prestarmos atenção nestes pontos suitís, eles realmente vão passar despercebidos. E continuaremos atolados, impedindo a nós mesmos de fluir nosso desenvolvimento alimentício. É algo bem difícil mas, de agora em diante, que tal, sempre que for comer alguma coisa, fazer uma pergunta para sí mesmo: “Porque estou comendo isso?”

Mas espere! Algo ficou inexplicado. No início do post mencionei que talvez TODOS os seres (não apenas os humanos) possam ter um problema de relacionamento com sua comida. Será possível? Bem, vamos continuar isso num próximo post. Se não, este fica muito grande e todos terão preguiça de lê-lo.

Read Full Post »

Pausa para uma poesia

fireflies3

Vagalumes

Incandescentes vagalumes
voando par a par
em reluzente céu noturno
sob a lua, a cochichar

Segredos e mistérios
que não ousaria o sapo-boi
comentar com a coruja
sobre o que falado foi

E enquanto canta o grilo
lá no meio do quintal
sob a luz leitosa ouve-se
a risada jovial
da noite, esta criança,
que acaba de nascer
e, sem preocupações, apenas avança
sem pensar no amanhecer

Brilhem vagalumes,
salpicando a escuridão com luz,
enquanto trocam, inocentes,
segredos que nenhum ser humano traduz!

Read Full Post »

Em boa companhia

Uma coisa que chama minha atenção e, as vezes, chega mesmo a me aborrecer, é a mania que algumas pessoas apresentam de não parecerem capazes (não quererem mesmo) de fazer absolutamente nada sozinhas. Seja no intervalo de trabalho, quando você quer se concentrar em alguma atividade e o indivíduo insiste que o acompanhe até a máquina de café; seja na faculdade, quando seu colega insiste em lhe arrastar para a cantina, mesmo que você tenha acabado de voltar de lá; seja dando um pulinho no banco para fazer aquele pagamento no último dia do desconto. E não digo isso me referindo às ocasiões naturais em que a pessoa realmente deseja sua presença para bater um papo ou discutir algum assunto, mas sim àquelas situações em que você se vê claramente arrastado pelo puro e simples fato de seu colega não gostar de fazer absolutamente nada sem que uma outra pessoa o acompanhe.

Refletindo a respeito, não fica tão difícil achar uma explicação clara e simples para essa atitude: cada vez mais, hoje em dia, as pessoas perdem a capacidade de estarem sozinhas por não suportarem sua própria companhia. Este pensamento lhe parece agressivo? Então vamos analisar um pouco mais.

menina2Estando sozinha, a pessoa é obrigada a prestar atenção em seus próprios pensamentos. Se ela não tiver nenhum, talvez fique apenas entediada e então busque a companhia de outros para se distrair. Se ela tiver pensamentos rasos e fúteis, buscará a companhia alheia para desabafar sobre sua pobre existência,  ou para se entorpecer um pouco com assuntos aleatórios que só lhe são proporcionados pela interação com o próximo. E há também a que teme estar sozinha por não aguentar a possibilidade de olhar para dentro de si mesma e ver coisas que  não gosta ou não se acha capaz de encarar. Vejam bem, não estou dizendo que interação seja algo ruim; muito menos que toda busca por companhia é um ato desesperado. Estou apenas comentando sobre pessoas cuja capacidade de individualismo chegou a níveis tão baixos (e isso pode ocorrer pelos mais diferentes motivos) que elas se tornam incapazes de sobreviver sem o constante “apoio” de um outro alguém.

A busca por uma vida em sociedade pode ser algo bem natural entre seres humanos, mas ainda assim, o individualismo e os momentos de reflexão pessoal são necessários. Momentos em que você pára e se dedica a si mesmo. Ações e atividades que você desempenha em sua própria companhia, ouvindo seus próprios pensamentos e analisando seus próprios sentimentos. Uma pessoa que procura conhecer a si mesma não entrará tão facilmente em conflito ao ter que afastar-se de seus companheiros por alguns minutos.  Ir comprar pão, ir à cantina da sua faculdade, ir até a máquina de café no seu trabalho, ou até mesmo ao banheiro, sozinho, não será um desafio do qual você procura se esquivar com todas as suas forças.

compa

Quando olhamos para dentro de nós mesmos, vemos coisas boas e ruins. Decidir até que ponto você se aceita e então resolver o que fazer a respeito daquilo que você viu talvez seja a chave da questão. Há quem decida encarar a si mesmo e busque, passo a passo, desvendar os mistérios que sua existência lhe guarda. Há quem fuja e prefira não olhar para si mesmo por muito tempo. Eis as pessoas que nos rodeiam. Milhares de tipos e sabores.

Mas assim é o mundo. As pessoas têm medo e, em alguns casos, esse medo as domina. No entanto, um dia será impossível continuar a evitar o espelho e então… O que acontecerá? Bom, seja como for, enquanto alguns amigos, com cara de espanto, continuam a me olhar surpresos e a exclamar “Você vai ao cinema sozinha?!“, eu continuo a sorrir e a replicar casualmente: “Por quê não? Eu gosto tanto da minha companhia.

Read Full Post »

Alguma vez já se encontrou entediado o bastante para reparar neste pequeno texto que costuma aparecer discretamente no rodapé de fotos de coisas visualmente atraentes? Cardápios, revistas, embalagens… seja qual for a mídia e o produto exibido, é quase certo encontrarmos um “imagem meramente ilustrativa” por perto.

b1

Pus-me então a indagar: “Porque?”. E não demorou para encontrar as respostas. Ficou claro para mim que a maioria absoluda dos profissionais de marketing de nosso planeta conhecem muito bem as teorias exóticas da mecânica quântica. Seguindo o princípio de que nós somos capazes de moldar a realidade de acordo com o que queremos acreditar, os engenhosos marketeiros bolaram pequenos propagadores de “realidades ideais sugeridas”. O que é isso? Eu explico.

Ao entrar numa lanchonete e ver a belíssima foto do BigMac no menú, sua mente é induzida a acreditar que aquela é a realidade com a qual você está prestes a se deparar. Nesse instante, então, seu corpo e seu universo se adaptam para reagirem apropriadamente a tal realidade. Aparentemente, desta forma seria desnecessário o investimento pesado no aspecto visual do produto, uma vez que os próprios consumidores acabariam por dar cabo disso. Mas o sistema não era perfeito. Havia uma falha.

b2 b3

Ainda de acordo com a mecânica quântica, à partir do momento em que um indivíduo depara-se com uma realidade, esta realidade se define, deixando de ser uma infinidade de possibilidades para se tornar apenas uma delas. E o que faz com que essa realidade continue definida mesmo após este individo ter ido embora? Bom, depois que a viu assim, ele passou a acreditar tão firmemente que é deste jeito que ela não muda mais. Então, se solidifica (e é assim que o mundo é feito).

O problema era que, enquanto os funcionarios da lanchonete preparavam os sanduiches, tinham total acesso a aparência real do produto. O BigMac que ia para a caixinha não correspondia ao fabuloso hamburguer da foto. E não adiantava qualquer imagem, por mais bela que fosse, pois os funcionários já haviam visto a verdadeira face do rango. A realidade já havia se solidificado.

Bom, o plano falhou (será?). Graças aos cozinheiros do McDonald’s (e construtores de vários outros produtos pelo mundo) nossos olhos foram capazes de perceber a verdade por trás do hamburguer. E nossos advogados exigiram que, ao lado de cada foto sugestiva, fossem adicionadas as reveladoras palavras: “imagem meramente ilustrativa”. Assim o sentimento de revolta por receber um produto não correspondente ao prometido foi dopado. Os fregueses continuam comprando, as empresas continuam vendendo e, bem… e a mercadoria é a mesma. Mas saboreamos sorridentes nossos desengonçados sanduiches enquanto pensamos vagalmente: “A justiça foi feita!”.

*Chomp!*

Read Full Post »

Se após ler esta palavra você pensou algo tipo “Whatta f* is THAT!?”, então podemos dizer que temos uma coisa em comum… Hum… só não sei o que.

MAS, enquanto viviamos nossas saudáveis vidas no pequenino planeta azul, grandes estudiosos e professores de português (talvez vindos de outra galáxia) discutiam um assunto sério: qual poderia ser a palavra usada para definir a fobia causada pela pronúncia de palavras grandes ou complicadas?

Adivinha…? Sem dúvida você acertou. A palavra vencedora foi hipopotomonstrosesquipedaliofobia. E não ria! Não estou brincando com você, juro! Apesar da primeira impressão que se possa ter, não se trata de uma nova raça híbrida de hipopótamos-montro. Essa foi realmente a palavra escolhida para definir a tal doença psicológica.

Agora, estou eu errado em dizer que os criadores da palavra podem ser de outro planeta? Só não estou certo da raça… Talvez Klingons ou, quem sabe, Wookiees. Ora, esta é a única explicação plausível! Infelizmente um hipopotomonstrosesquipedaliofóbico tera de chegar no hospital e dizer: “Doutor, eu sofro de… sofro de… de… ajkhkljs aaaAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!”

Como já dizia alguém, seria trágico se não fosse cômico (ou algo assim). Mas só pode ter sido uma tremenda brincadeira de mau gosto. E a propósito, esta é a terceira maior palavra da língua portuguesa (33 letras). O primeiro lugar fica com pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, de 46 letras.

Eu deveria ter avisado antes (não que fosse fazer diferença) mas, se você sofre de hipopotomonstrosesquipedaliofobia, por favor evite este tópico.

Read Full Post »

Older Posts »