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Keep walking…

Muitos animais têm o costume de se moverem em grupos. Já observou as formigas caminhando em sua parede? Elas seguem todas em fila, uma atrás da outra, por um mesmo caminho, rumo a um objetivo em comum. Alguns pássaros também costumam migrar em bandos, as vezes fazendo formações curiosas mas, de todo modo, predestinadamente indo onde todos os pássaros em sua situação costumam ir. Lemmings também se movem em conjunto, no entanto, muitas vezes, sem exatamente um objetivo, o que acaba por ocasionar sua morte.

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Como seres humanos, também nos agrupamos. Para nos mover na vida (e nisso insira o movimento que fazemos com nossas escolhas, com as tendências que seguimos, com os hábitos que cultivamos, etc.), podemos escolher simplesmente seguir a multidão. Talvez essa seja a escolha mais fácil. Deste modo, não corremos tantos riscos, afinal, todos estão dando seus passos pela mesma estrada. Se todos a percorrem, ela deve ser boa, não é mesmo? Não, não exatamente. As vezes o caminho que o “todo” escolhe seguir não é o caminho que seu coração deseja percorrer. Não digo que todo tipo de “agrupamento” seja ruim, claro que não. Até porque, nenhum homem é uma ilha e isso se prova com o simples fato de nossa interdependente existência neste planeta. Me refiro ao caso de alguns humanos simplesmente esquecerem de ouvir a pequena voz que grita desesperada dentro de si mesmos para seguir o comodismo da moda vigente. Pensamentos como: “se todos fazem, eu devo fazer também”“se fica bem neles, fica bem em mim também”, ou até,  “se é o melhor para eles, é o melhor para mim também.

Ignorar sua própria idiossincrasia pode ser um forte empurrão em direção à perda de personalidade e então, consequentemente, à indiferença e ao desrespeito às peculiaridades e diferenças do outro, o que nos levará, inevitavelmente, a cada vez mais guerras, opressão e, por contraditório que possa parecer, individualismo. Não o individualismo saudável de personalidades, mas sim o temível e nocivo individualismo de almas. Grupos se afastarão de outros grupos, diferentes do seu. Os caminhos se tornarão coisas impostas e não uma escolha espontânea. Eventualmente, a raça humana sucumbirá e a Terra será destruída.

Ora essa! Talvez seja hora de, quem ainda está em dúvida, respirar fundo e experimentar a sensação de percorrer seu próprio caminho, sem se esquecer, no entanto, que por mais diferentes que sejamos, todos ainda somos parte de um mesmo corpo. Afinal, pra que tanta pressa? O que todos estão querendo provar? No final das contas, na vida, não importa quão rápido você vai atingir o outro lado da montanha, mas sim o modo como você escolherá fazer a escalada.

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Dando continuidade ao post Man or PACMAN (parte 2), eis que chegamos ao ponto mais importante de toda a questão: civilização Pacman.

A medida que crescem, precisam de espaço para se espalhar. As árvores atrapalham, então é necessário removê-las do caminho. O solo não é firme o suficiente para que possam construir suas casas, então o cobrem de concreto. As plantações não fornecem alimento o bastante, então caçam os animais da água e da terra. Os animais acabam, então caminham a procura de mais.

Países estão no caminho, então dominam estes países. Há territórios não reclamados, então reclamam estes territórios. Há povos que creem em outras coisas, então os fazem ter a mesma crença. Existem idéias diferentes, então fazem com que todos pensem da mesma forma. Se sobrevoam seus céus, então derrubam. Se bebem de sua água, então cobram.

Inspiram um ar puro e expiram fumaças negras. Mergulham num mar azul e vomitam um caldo cinzento. Cruzam florestas verdes e o rastro se faz do vazio. Encontram a sí mesmos… e devoram-se, como nenhum outro ser do universo conhecido. Este é o homem Pacman.

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Gafanhotos são vistos como pragas. Nuvens que arrazam plantações e deixam milhões passando fome. Que gafanhotos malvados… Mas, ainda assim, eles comem apenas plantas. E o motivo pelo qual saem voando e engolindo tudo, se deve a disfunção ambiental gerada por nós mesmos. Será que eles são realmente tão maus assim?

Nenhum outro ser destrói o lugar em que vive. O lugar de onde tira seu sustento, seu alimento. Mas nós, Pacmen, sujamos a água de que precisamos beber. Devastamos as florestas que mantem nosso ar puro e nosso céu forte o bastante para deixar passar a quantidade certa de Sol. Alteramos o desenho natural da terra para satisfazer nossos comodismos, mudando a direção dos ventos, temperatura e clima. Comemos muito mais que toda a comida do mundo. Nós comemos O MUNDO!

Apesar de tudo, todo Pacman tem seu próprio fantasma. A voz da consciência perseguidora que insiste em não deixá-lo em paz. Não há desconhecedores da verdade aqui. Todos sabem muito bem dos males que causam. Mas o imediatismo, o capitalismo e o egoísmo nos fizeram fechar os olhos. Em nossa busca imprudente pelo hoje, ignoramos o amanhã. Contudo, os fantasmas são rápidos e letais. Quando finalmente nos alcançarem, pode ser muito tarde.

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Esta é a hora de abrir os olhos. De perceber que fugir nunca foi necessário. Somos o Pacman, mas também somos o fantasma. Nosso pior inimigo somos nós mesmos. Somos nossa derrota e nossa vitória. Com o passar do tempo perdemos uma união importante:  a união com nosso íntimo. Se pararmos para ouvir o que os fantasmas tem a dizer, poderemos compreender o que perdemos há séculos. Então será possível viver livre de verdade. Consciência e ação trabalhando de forma harmônica. Não temos de ser uma civilização Pacman para sempre. Com tudo o que nós realmente somos, poderiamos criar o nosso próprio jogo. O que acham? 😀

Depois de um enormemente PROLONGADO feriado de carnaval, estamos voltando com tudo! Durante este tempo nossa equipe esteve se preparando e estudando as possibilidades para este nosso blog, discutindo temas e elaborando metas. Esperamos crescer cada vez mais e desde já agradecemos a vocês, visitantes de várias partes do mundo, por compartilharem de nossas incríveis, absurdas, estonteantes e humildes idéias. 😀

Continuem por aí e aguardem novidades!

Orcs no playground

Eis que o mundo é mau! Hmm… Mau? Calma, não devo ter me expressado direito. O mundo não é mau. As pessoas dentro dele é que o tem feito parecer um lugar muito chato de se viver.

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Alguma vez você já parou, olhou à sua volta e disse “não consigo mais” ? Bom, sendo bem sinceros, quem nunca sentiu, ao menos uma vez, que não poderia mais continuar? No entanto, é quando nos vemos envolvidos pela desesperança que é o momento de nos lembrarmos de um detalhe importante: o desespero não é uma coisa imposta, ele nos é oferecido. Cabe a nós aceita-lo ou não.

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Quando o “mundo” nos sufoca com todo o seu caos, cabe a nós escolhermos a atitude que adotaremos diante dele. As experiências nos instruem e amadurecem e isso é bom.  Por quê? Porque  temos dentro de nós um organismo quente e pulsante. O sangue que corre em nossas veias nos impele a viver. Por mais que o mundo esteja distorcido, a atitude que escolheremos diante dele ainda conta. Se você foi traído pelo seu melhor amigo, se havia orcs demais e você não tinha buffs, se o cara do EcoSport te cortou no trânsito e ainda pegou sua vaga no estacionamento… Sua reação será escolha do destino? Não. Ela está em suas próprias mãos. É sua.  Somente sua.

E sabe o que é irônico? Não passamos todos de crianças ingênuas e desorientadas em um grande playground cercado.  Tão ocupadas estamos negligenciando uns aos outros, desejando ter o controle sobre os melhores brinquedos ou ficando tristes por termos sido maltratadas que nem sequer lembramos de ter a curiosidade de buscar o que existe do lado de fora dessas grades.

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Sim, o playground é um lugar bonito, mas a vida… é muito mais do que um pequenino playground cercado. Ele deveria nos incentivar a sermos curiosos pelo que há lá fora, afinal, se aqui dentro tem tanta coisa legal, imagina o quê poderá existir do lado de lá? Ao invés disso, nos ocupamos em transformar nosso pequeno cubículo em um inferno particular.

No final das contas, enquanto a falsa ilusão de controle e superioridade for tão importante assim para nós, continuaremos prestando atenção demais no número de orcs que nos cercam e esquecendo de que, no fundo, abrir ou fechar a porta do cercadinho é algo que cabe a nós mesmos.

Man or PACMAN (parte 2)

Bem, dando continuidade ao assunto abordado no post anterior, o que seria o tal problema de relacionamento entre os seres vivos e sua comida?

Imagine que você é um camaleão caminhando por este mundo vasto, misterioso e colorido, repleto de curiosidades a cada passo quando, de repente, se depara com uma linda borboleta. Olha para ela e a admira. Você, jovem e intrépido, nunca vira nada igual antes. Seus olhos dançam para todos os lados analisando a novidade. Mas, falta-lhe algo: sentidos refinados para que possa interagir com sua descoberta de maneira apropriada.

Sendo um camaleão, você não dispõe de mãos desenvolvidas o bastante para poder tocar e sentir a borboleta. Não tem um olfato tão apurado para poder cheirá-la profundamente. Mas o desejo de aproximação e interação é tanto que você, desesperadamente, usa da única maneira pela qual tem certeza que terá o melhor contato com o belo inseto descoberto: abrir sua boca e estender sua língua.

camaleao

Então, num súbito “slap”, você, camaleão curioso, está interagindo da melhor forma que poderia com a bela borboleta. Basicamente o pensamento do camaleão foi algo assim: “O que é isso? Algo novo! Que excitante! Preciso saber mais! Preciso descobrir! Preciso… preciso… que esteja perto. Preciso que esteja em mim!”

A aqueles que estão achando que o camaleão estava meramente com fome, digo que são muito superficiais. Acham isso porque possuem mãos, pés, olhos e uma infinidade de habilidades que os permitem sair por aí e abraçar alguém, sem que seja necessário abocanhá-lo. Mas para seres diferentes, comer sua descoberta pode fazer todo o sentido. Assim, vê-se que o ato de saborear a borboleta pode ser apenas uma tentativa subdesenvolvida de relacionar-se com ela.

babyIsso não acontece apenas com o camaleão, é claro. Todos os animais agem assim. Até mesmo os macacos, que possuem membros bem desenvolvidos e seriam bem capazes de chegar dizendo um “e aí, mano!” para qualquer ser diferente que encontrassem. Mas, ao invés disso, pegam suas descobertas e a colocam na boca. Não estão simplesmente comendo tudo o que vêem. Estão se relacionando! Explorando e descobrindo! Não acha possível? Bem, não sei se você está lembrado, mas também é um animal. E se acha que os humanos não fazem coisas desse tipo, porque não vai dar uma olhada no comportamento dos filhotes de sua espécie?

Todas as crianças, bem como os camaleões, são curiosas e exploradoras. Tentam da melhor maneira que podem relacionar-se com o mundo novo à sua volta. Não tendo ainda dominado a complexta técnica do “e aí, mano!”, fazem uso de seus instintos e colocam dentro de suas úmidas e banguelas bocas tudo o que encontram pela frente. Seria fome? Não ainda… Eles só se tornam Pacmen quando crescem. Logo, toda esta comilança NÃO é motivada apenas pelo vazio no estômago (e não se preocupem, a garotinha não devorou o cachorrinho).

Mas ainda há algo extremamente importante a ser dito sobre o homem Pacman. E talvez este seja o ponto mais importante deste tema. Então, vão tomar uma água e pegar um pouco de vida. Falaremos dele num próximo post.

Man or PACMAN (parte 1)

Se você parar para pensar seriamente, vai ver que, na luta pela sobrevivência de todas as formas de vida neste planeta, o mais forte sempre come o mais fraco. O que não fica claro nessa comilança toda é se eles estão sempre tentando matar a fome, pois às vezes os seres vivos parecem apenas não conhecer qualquer outra forma de interagir com outro, se não o comendo. Observe a científica e profissional ilustração da cadeia alimentar a seguir.

ciclo

O que? Nunca viu um leão comer uma águia? Bem, acontece! É raro… mas acontece. De qualquer forma, o que você deve notar é a posição específica de cada animal dentro da cadeia. Cada um deles come apenas um item à sua frente (e não venha me dize que leões também comem coelhos). O único animal que come TODOS os itens à sua frente é o homem. Por isso, acredito que a melhor forma de o representar seja através da imagem do Pacman.

Você realmente acha que o homem tem tanta fome assim? Para ele, tudo que é orgânico pode ser comido, independente de horário, lugar, crenças ou idéias. O homem caminha e come. Come para crescer, come para se divertir, come para passar o tempo, come para reproduzir… e por aí vai. É claro que a captação de energia é essencial ao funcionamento de nosso corpo. Mas será que, ao nos preocuparmos tanto com o mastigar e saborear, não acabamos criando uma espécie de “barreira evolutiva” no que diz respeito a maneira como nos alimentamos? O sentido original já se perdeu e é bem possível que tenhamos nos atrofiado no aspecto “absorção”.

burpExiste um médico (e infelizmente não encontrei nenhum link sobre isso para postar aqui) que sugere que a própria digestão é, em sí, uma forma de defesa do organismo contra um elemento invasor. Ou seja, aquilo não deveria estar alí. Não me soa como uma idéia tão louca assim (aliás…). Ele pode estar certo. Mas não tenho muitos detalhes sobre sua teoria. Se alguém achar alguma coisa, pode enviar para nós. Ficariamos muito agradecidos. 🙂

De outro lado temos alguns espiritualistas que falam sobre nossa capacidade de absorver energia vital do universo. Contudo, ainda acho que, devido a natureza bruta e material de nosso corpo, é difícil mudar radicalmente nosso costume alimentar. Não adianta querer olhar para o Sol e esperar que ele mate sua fome assim de repente. Como eu disse antes, estamos atrofiados neste quesito. A questão é que, se não prestarmos atenção nestes pontos suitís, eles realmente vão passar despercebidos. E continuaremos atolados, impedindo a nós mesmos de fluir nosso desenvolvimento alimentício. É algo bem difícil mas, de agora em diante, que tal, sempre que for comer alguma coisa, fazer uma pergunta para sí mesmo: “Porque estou comendo isso?”

Mas espere! Algo ficou inexplicado. No início do post mencionei que talvez TODOS os seres (não apenas os humanos) possam ter um problema de relacionamento com sua comida. Será possível? Bem, vamos continuar isso num próximo post. Se não, este fica muito grande e todos terão preguiça de lê-lo.

Pausa para uma poesia

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Vagalumes

Incandescentes vagalumes
voando par a par
em reluzente céu noturno
sob a lua, a cochichar

Segredos e mistérios
que não ousaria o sapo-boi
comentar com a coruja
sobre o que falado foi

E enquanto canta o grilo
lá no meio do quintal
sob a luz leitosa ouve-se
a risada jovial
da noite, esta criança,
que acaba de nascer
e, sem preocupações, apenas avança
sem pensar no amanhecer

Brilhem vagalumes,
salpicando a escuridão com luz,
enquanto trocam, inocentes,
segredos que nenhum ser humano traduz!