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Posts Tagged ‘civilização’

Não é novidade o fato de que estamos, todos, de uma maneira infinitesimal, interligados. Se formos buscar estudar o ser humano e a natureza que o circunda, em um nível molecular, perceberemos a constante troca e interação de energias. No entanto, poucos sentem-se realmente conectados; poucos notam a ligação que nos une (sim, todos nós juntinhos) em uma nebulosa rede de possibilidades existenciais.

Mas consideremos isto por um minuto. Essa ligação. Seria tão irreal crêr nela? Seria tão estranho pensar que o relâmpago que corta os céus compartilha, de algum modo, da mesma energia que corre em nosso corpo?

Segundo a física quântica, podemos dividir o átomo em prótons, nêutrons e elétrons; depois disso, podemos ainda dividir esses prótons e nêutrons em quarks. De divisão em divisão de coisas minúsculas, chegamos cada vez mais perto de algo ainda mais minúsculo e fundamental que forma todos os tipos de particulas do universo. Ou seja, todos nós, frágeis seres humanos e a natureza que nos envolve, sob uma escalafobética lente de microscópio, somos compostos de uma mesma força fundamental. Como é essa força e de onde ela vem é algo que os cientistas ainda quebram a cabeça para desvendar, mas muitos já chegaram a conclusão de que, se continuarmos procurando, vamos chegar a um ponto em que veremos que, no interior de tudo, o que há é energia (uma energia vibrante, formadora de particulas).

planets

Não vou aqui me aprofundar nas teorias, mas o ponto principal dessa nossa conversa é: estamos conectados. Seja uns com os outros, os outros com os uns e esses uns com a natureza, entre nós há constante e ativa interação energética. A energia que nos forma se movimenta constantemente. Assim sendo, a questão do Pacman no post mais abaixo torna-se ainda mais assustadora, não acha? Destruímos, sugamos, comemos… a nós mesmos. Corrompemos um mundo que está diretamente conectado ao nosso próprio corpo e massacramos seres que estão, inevitavelmente, ligados a nós mesmos. Brincamos de mutilar e sacudir toda essa energia de um modo negativo e corrosivo, o que nos leva cada vez mais para perto da fome, da miséria, do desespero, da destruição do mundo.

Amar o planeta em que se vive, amar ao próximo, ser cuidadoso… Essas coisas as vezes são vistas como algo cafona. As medidas preventivas de cuidado com o planeta são vistas como uma reação exagerada. O engraçado é que, quando trata-se do amor-próprio, todos levam o assunto muito a sério. Enquanto for tão difícil assim para as pessoas repararem que amar a si mesmo seria justamente cuidar e preservar o ambiente em que vivemos e as pessoas que nos rodeiam… então eu acho que a Terra continuará sua saltitante caminhada rumo à obliteração.

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Dando continuidade ao post Man or PACMAN (parte 2), eis que chegamos ao ponto mais importante de toda a questão: civilização Pacman.

A medida que crescem, precisam de espaço para se espalhar. As árvores atrapalham, então é necessário removê-las do caminho. O solo não é firme o suficiente para que possam construir suas casas, então o cobrem de concreto. As plantações não fornecem alimento o bastante, então caçam os animais da água e da terra. Os animais acabam, então caminham a procura de mais.

Países estão no caminho, então dominam estes países. Há territórios não reclamados, então reclamam estes territórios. Há povos que creem em outras coisas, então os fazem ter a mesma crença. Existem idéias diferentes, então fazem com que todos pensem da mesma forma. Se sobrevoam seus céus, então derrubam. Se bebem de sua água, então cobram.

Inspiram um ar puro e expiram fumaças negras. Mergulham num mar azul e vomitam um caldo cinzento. Cruzam florestas verdes e o rastro se faz do vazio. Encontram a sí mesmos… e devoram-se, como nenhum outro ser do universo conhecido. Este é o homem Pacman.

ciclo2

Gafanhotos são vistos como pragas. Nuvens que arrazam plantações e deixam milhões passando fome. Que gafanhotos malvados… Mas, ainda assim, eles comem apenas plantas. E o motivo pelo qual saem voando e engolindo tudo, se deve a disfunção ambiental gerada por nós mesmos. Será que eles são realmente tão maus assim?

Nenhum outro ser destrói o lugar em que vive. O lugar de onde tira seu sustento, seu alimento. Mas nós, Pacmen, sujamos a água de que precisamos beber. Devastamos as florestas que mantem nosso ar puro e nosso céu forte o bastante para deixar passar a quantidade certa de Sol. Alteramos o desenho natural da terra para satisfazer nossos comodismos, mudando a direção dos ventos, temperatura e clima. Comemos muito mais que toda a comida do mundo. Nós comemos O MUNDO!

Apesar de tudo, todo Pacman tem seu próprio fantasma. A voz da consciência perseguidora que insiste em não deixá-lo em paz. Não há desconhecedores da verdade aqui. Todos sabem muito bem dos males que causam. Mas o imediatismo, o capitalismo e o egoísmo nos fizeram fechar os olhos. Em nossa busca imprudente pelo hoje, ignoramos o amanhã. Contudo, os fantasmas são rápidos e letais. Quando finalmente nos alcançarem, pode ser muito tarde.

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Esta é a hora de abrir os olhos. De perceber que fugir nunca foi necessário. Somos o Pacman, mas também somos o fantasma. Nosso pior inimigo somos nós mesmos. Somos nossa derrota e nossa vitória. Com o passar do tempo perdemos uma união importante:  a união com nosso íntimo. Se pararmos para ouvir o que os fantasmas tem a dizer, poderemos compreender o que perdemos há séculos. Então será possível viver livre de verdade. Consciência e ação trabalhando de forma harmônica. Não temos de ser uma civilização Pacman para sempre. Com tudo o que nós realmente somos, poderiamos criar o nosso próprio jogo. O que acham? 😀

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