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Posts Tagged ‘teoria’

Por muitos e muitos anos conservamos a medíocre idéia de que nós, seres humanos, eramos os únicos racionais no planeta. Os únicos capazes de construir, resolver problemas e elaborar pensamentos sofisticados. Mas, para nossa sorte, existem pessoas inteligentes trabalhando para mostrar ao mundo que, mais uma vez, estavamos errados.

Brian Ford, um biólogo britânico, apresentou através de um estudo em 2008 que as céluas emitem sons e comunicam-se umas com as outras. E não para por aí. Segundo ele, uma única célula é capaz de pensar e agir com um objetivo. Organismos unicelulares como as amebas, por exemplo, são capazes de construir uma “casa”, juntanto grãos de areia para formar uma proteção.

Agora, o detalhe mais importante nisso é que as células pensam! Assim como diz o próprio Brian, o ato de pensar não é algo exclusivo dos organismos mais evoluídos (se é que realmente entendemos o que é evolução). Se células sozinhas podem pensar, falar, interagir e construir uma casa, o que impediria um grande número de células de manterem-se unidas e, para sobreviver, construir uma enorme casa? Se levarmos a sério a descoberta do biólogo, nada.

amebas

Então pense comigo. Os organismos unicelulares, que habitam nosso planeta há milhões de anos, tem pensado e se aprimorado durante todo esse tempo. Ao se unirem, perceberam que ganhavam mais proteção e alimento. Podiam também, através da comunicação, informar aos amigos próximos sobre uma necessidade ou perigo, permitindo que outras células do grupo soubessem o que fazer.

Com o passar do tempo o grupo vai ficando maior. A “casa” é maior. Mas o fato desta casa não ser mais feita simplesmente de grãos de areia e sim de material orgânico, permite que ela se mova. O sistema funciona perfeitamente: a casa anda, procura comida, evita ameaças… uma obra-prima de engenharia. Desenvolve-se de tal maneira que, quem olha de fora, pensa que aquilo tudo é uma coisa só. E como cada grupo cresceu sob ambientes e funções específicas, existem aqueles que se parecem (casas semelhantes) e os que são bem diferentes.

Um destes grupos teve bastante sucesso. A casa deles parece ter associado características das melhores existentes. Centros orgânicos para captação e processamento da luz, revestimento sensível a variações de temperatura e pressão, um sistema interno para tranformar matéria em energia (comida para as células)… Descobriram até um jeito de fazer o som gerado por eles ser emitido pelo ar de maneira a uzá-lo para se comunicarem com outras casas próximas.

robot

Devido a complexidade e o número de tarefas que esta casa pode realizar, acho que agora deveriamos compará-la a um robô, e não mais a uma casa. Afinal, ela já faz bem mais que apenas fornecer um ambiente agradável de moradia. E assim, as células, como os Power Rangers do seriado japonês, controlam seu robô gigante pela Terra. Mas ao contrário do veículo da série, guiado de forma absurdamente hábil por apenas cinco pilotos, o robô das células exige um número infinitamente maior de tripulantes e um sincronismo espantoso (quase chinês).

rangersPara que tudo funcione corretamente, cada célula precisa estar totalmente concentrada em sua função, passando adiante a informação necessária a célula seguinte, de maneira que esta informação seja levada por todo o organismo como uma onda rumo a praia. Esta constante onda de vozes celulares informando sobre necessidades, situações e alternativas ecoa pelo corpo unido como uma consciência coletiva. Assim, o robô parece ter vontade própria. Pensamentos próprios que nada mais são que as vozes reunidas de todas as células conversando sobre como guiar-se pela vida.

Parece bagunça? Mas não é… A união celular funciona porque não há uma célula sequer preocupada com o quanto irá ganhar no fim do mês. Trabalham com um objetivo comum e todas ganham com isso. Todos os problemas são reportados e todas as boas soluções são memorizadas. O sistema funciona e funciona BEM! Contudo, se somos comandados pelas células, por que nos matamos, roubamos e agimos de forma tão mesquinha uns com os outros? Será que existe algo além de células e sua consciência coletiva em nosso corpo? Ou as próprias células teriam sucumbido à tal consciência, acreditando serem não mais um grupo, mas sim uma nova e única forma de vida, passando a ter novas ambições, comportamento e valores condizentes com a sociedade moderna?

Acho que isso dá um ótimo assunto para tópicos futuros. Por enquanto você já tem material suficiente aqui para pensar durante uma semana. Somos mesmo criaturas curiosas. E as novas descobertas da ciência não trazem necessariamente respostas. Apesar disso, as dúvidas geradas possuem um sabor exótico. O sabor de trabalhar a mente e a imaginação no estudo contemplativo desse enorme e crescente universo de “porquês” e “comos”. Talvez a gente descubra algo mais amanhã. Até lá, continue questionando!

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Dando continuidade ao post Man or PACMAN (parte 2), eis que chegamos ao ponto mais importante de toda a questão: civilização Pacman.

A medida que crescem, precisam de espaço para se espalhar. As árvores atrapalham, então é necessário removê-las do caminho. O solo não é firme o suficiente para que possam construir suas casas, então o cobrem de concreto. As plantações não fornecem alimento o bastante, então caçam os animais da água e da terra. Os animais acabam, então caminham a procura de mais.

Países estão no caminho, então dominam estes países. Há territórios não reclamados, então reclamam estes territórios. Há povos que creem em outras coisas, então os fazem ter a mesma crença. Existem idéias diferentes, então fazem com que todos pensem da mesma forma. Se sobrevoam seus céus, então derrubam. Se bebem de sua água, então cobram.

Inspiram um ar puro e expiram fumaças negras. Mergulham num mar azul e vomitam um caldo cinzento. Cruzam florestas verdes e o rastro se faz do vazio. Encontram a sí mesmos… e devoram-se, como nenhum outro ser do universo conhecido. Este é o homem Pacman.

ciclo2

Gafanhotos são vistos como pragas. Nuvens que arrazam plantações e deixam milhões passando fome. Que gafanhotos malvados… Mas, ainda assim, eles comem apenas plantas. E o motivo pelo qual saem voando e engolindo tudo, se deve a disfunção ambiental gerada por nós mesmos. Será que eles são realmente tão maus assim?

Nenhum outro ser destrói o lugar em que vive. O lugar de onde tira seu sustento, seu alimento. Mas nós, Pacmen, sujamos a água de que precisamos beber. Devastamos as florestas que mantem nosso ar puro e nosso céu forte o bastante para deixar passar a quantidade certa de Sol. Alteramos o desenho natural da terra para satisfazer nossos comodismos, mudando a direção dos ventos, temperatura e clima. Comemos muito mais que toda a comida do mundo. Nós comemos O MUNDO!

Apesar de tudo, todo Pacman tem seu próprio fantasma. A voz da consciência perseguidora que insiste em não deixá-lo em paz. Não há desconhecedores da verdade aqui. Todos sabem muito bem dos males que causam. Mas o imediatismo, o capitalismo e o egoísmo nos fizeram fechar os olhos. Em nossa busca imprudente pelo hoje, ignoramos o amanhã. Contudo, os fantasmas são rápidos e letais. Quando finalmente nos alcançarem, pode ser muito tarde.

pacman

Esta é a hora de abrir os olhos. De perceber que fugir nunca foi necessário. Somos o Pacman, mas também somos o fantasma. Nosso pior inimigo somos nós mesmos. Somos nossa derrota e nossa vitória. Com o passar do tempo perdemos uma união importante:  a união com nosso íntimo. Se pararmos para ouvir o que os fantasmas tem a dizer, poderemos compreender o que perdemos há séculos. Então será possível viver livre de verdade. Consciência e ação trabalhando de forma harmônica. Não temos de ser uma civilização Pacman para sempre. Com tudo o que nós realmente somos, poderiamos criar o nosso próprio jogo. O que acham? 😀

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Bem, dando continuidade ao assunto abordado no post anterior, o que seria o tal problema de relacionamento entre os seres vivos e sua comida?

Imagine que você é um camaleão caminhando por este mundo vasto, misterioso e colorido, repleto de curiosidades a cada passo quando, de repente, se depara com uma linda borboleta. Olha para ela e a admira. Você, jovem e intrépido, nunca vira nada igual antes. Seus olhos dançam para todos os lados analisando a novidade. Mas, falta-lhe algo: sentidos refinados para que possa interagir com sua descoberta de maneira apropriada.

Sendo um camaleão, você não dispõe de mãos desenvolvidas o bastante para poder tocar e sentir a borboleta. Não tem um olfato tão apurado para poder cheirá-la profundamente. Mas o desejo de aproximação e interação é tanto que você, desesperadamente, usa da única maneira pela qual tem certeza que terá o melhor contato com o belo inseto descoberto: abrir sua boca e estender sua língua.

camaleao

Então, num súbito “slap”, você, camaleão curioso, está interagindo da melhor forma que poderia com a bela borboleta. Basicamente o pensamento do camaleão foi algo assim: “O que é isso? Algo novo! Que excitante! Preciso saber mais! Preciso descobrir! Preciso… preciso… que esteja perto. Preciso que esteja em mim!”

A aqueles que estão achando que o camaleão estava meramente com fome, digo que são muito superficiais. Acham isso porque possuem mãos, pés, olhos e uma infinidade de habilidades que os permitem sair por aí e abraçar alguém, sem que seja necessário abocanhá-lo. Mas para seres diferentes, comer sua descoberta pode fazer todo o sentido. Assim, vê-se que o ato de saborear a borboleta pode ser apenas uma tentativa subdesenvolvida de relacionar-se com ela.

babyIsso não acontece apenas com o camaleão, é claro. Todos os animais agem assim. Até mesmo os macacos, que possuem membros bem desenvolvidos e seriam bem capazes de chegar dizendo um “e aí, mano!” para qualquer ser diferente que encontrassem. Mas, ao invés disso, pegam suas descobertas e a colocam na boca. Não estão simplesmente comendo tudo o que vêem. Estão se relacionando! Explorando e descobrindo! Não acha possível? Bem, não sei se você está lembrado, mas também é um animal. E se acha que os humanos não fazem coisas desse tipo, porque não vai dar uma olhada no comportamento dos filhotes de sua espécie?

Todas as crianças, bem como os camaleões, são curiosas e exploradoras. Tentam da melhor maneira que podem relacionar-se com o mundo novo à sua volta. Não tendo ainda dominado a complexta técnica do “e aí, mano!”, fazem uso de seus instintos e colocam dentro de suas úmidas e banguelas bocas tudo o que encontram pela frente. Seria fome? Não ainda… Eles só se tornam Pacmen quando crescem. Logo, toda esta comilança NÃO é motivada apenas pelo vazio no estômago (e não se preocupem, a garotinha não devorou o cachorrinho).

Mas ainda há algo extremamente importante a ser dito sobre o homem Pacman. E talvez este seja o ponto mais importante deste tema. Então, vão tomar uma água e pegar um pouco de vida. Falaremos dele num próximo post.

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Se você parar para pensar seriamente, vai ver que, na luta pela sobrevivência de todas as formas de vida neste planeta, o mais forte sempre come o mais fraco. O que não fica claro nessa comilança toda é se eles estão sempre tentando matar a fome, pois às vezes os seres vivos parecem apenas não conhecer qualquer outra forma de interagir com outro, se não o comendo. Observe a científica e profissional ilustração da cadeia alimentar a seguir.

ciclo

O que? Nunca viu um leão comer uma águia? Bem, acontece! É raro… mas acontece. De qualquer forma, o que você deve notar é a posição específica de cada animal dentro da cadeia. Cada um deles come apenas um item à sua frente (e não venha me dize que leões também comem coelhos). O único animal que come TODOS os itens à sua frente é o homem. Por isso, acredito que a melhor forma de o representar seja através da imagem do Pacman.

Você realmente acha que o homem tem tanta fome assim? Para ele, tudo que é orgânico pode ser comido, independente de horário, lugar, crenças ou idéias. O homem caminha e come. Come para crescer, come para se divertir, come para passar o tempo, come para reproduzir… e por aí vai. É claro que a captação de energia é essencial ao funcionamento de nosso corpo. Mas será que, ao nos preocuparmos tanto com o mastigar e saborear, não acabamos criando uma espécie de “barreira evolutiva” no que diz respeito a maneira como nos alimentamos? O sentido original já se perdeu e é bem possível que tenhamos nos atrofiado no aspecto “absorção”.

burpExiste um médico (e infelizmente não encontrei nenhum link sobre isso para postar aqui) que sugere que a própria digestão é, em sí, uma forma de defesa do organismo contra um elemento invasor. Ou seja, aquilo não deveria estar alí. Não me soa como uma idéia tão louca assim (aliás…). Ele pode estar certo. Mas não tenho muitos detalhes sobre sua teoria. Se alguém achar alguma coisa, pode enviar para nós. Ficariamos muito agradecidos. 🙂

De outro lado temos alguns espiritualistas que falam sobre nossa capacidade de absorver energia vital do universo. Contudo, ainda acho que, devido a natureza bruta e material de nosso corpo, é difícil mudar radicalmente nosso costume alimentar. Não adianta querer olhar para o Sol e esperar que ele mate sua fome assim de repente. Como eu disse antes, estamos atrofiados neste quesito. A questão é que, se não prestarmos atenção nestes pontos suitís, eles realmente vão passar despercebidos. E continuaremos atolados, impedindo a nós mesmos de fluir nosso desenvolvimento alimentício. É algo bem difícil mas, de agora em diante, que tal, sempre que for comer alguma coisa, fazer uma pergunta para sí mesmo: “Porque estou comendo isso?”

Mas espere! Algo ficou inexplicado. No início do post mencionei que talvez TODOS os seres (não apenas os humanos) possam ter um problema de relacionamento com sua comida. Será possível? Bem, vamos continuar isso num próximo post. Se não, este fica muito grande e todos terão preguiça de lê-lo.

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Alguma vez já se encontrou entediado o bastante para reparar neste pequeno texto que costuma aparecer discretamente no rodapé de fotos de coisas visualmente atraentes? Cardápios, revistas, embalagens… seja qual for a mídia e o produto exibido, é quase certo encontrarmos um “imagem meramente ilustrativa” por perto.

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Pus-me então a indagar: “Porque?”. E não demorou para encontrar as respostas. Ficou claro para mim que a maioria absoluda dos profissionais de marketing de nosso planeta conhecem muito bem as teorias exóticas da mecânica quântica. Seguindo o princípio de que nós somos capazes de moldar a realidade de acordo com o que queremos acreditar, os engenhosos marketeiros bolaram pequenos propagadores de “realidades ideais sugeridas”. O que é isso? Eu explico.

Ao entrar numa lanchonete e ver a belíssima foto do BigMac no menú, sua mente é induzida a acreditar que aquela é a realidade com a qual você está prestes a se deparar. Nesse instante, então, seu corpo e seu universo se adaptam para reagirem apropriadamente a tal realidade. Aparentemente, desta forma seria desnecessário o investimento pesado no aspecto visual do produto, uma vez que os próprios consumidores acabariam por dar cabo disso. Mas o sistema não era perfeito. Havia uma falha.

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Ainda de acordo com a mecânica quântica, à partir do momento em que um indivíduo depara-se com uma realidade, esta realidade se define, deixando de ser uma infinidade de possibilidades para se tornar apenas uma delas. E o que faz com que essa realidade continue definida mesmo após este individo ter ido embora? Bom, depois que a viu assim, ele passou a acreditar tão firmemente que é deste jeito que ela não muda mais. Então, se solidifica (e é assim que o mundo é feito).

O problema era que, enquanto os funcionarios da lanchonete preparavam os sanduiches, tinham total acesso a aparência real do produto. O BigMac que ia para a caixinha não correspondia ao fabuloso hamburguer da foto. E não adiantava qualquer imagem, por mais bela que fosse, pois os funcionários já haviam visto a verdadeira face do rango. A realidade já havia se solidificado.

Bom, o plano falhou (será?). Graças aos cozinheiros do McDonald’s (e construtores de vários outros produtos pelo mundo) nossos olhos foram capazes de perceber a verdade por trás do hamburguer. E nossos advogados exigiram que, ao lado de cada foto sugestiva, fossem adicionadas as reveladoras palavras: “imagem meramente ilustrativa”. Assim o sentimento de revolta por receber um produto não correspondente ao prometido foi dopado. Os fregueses continuam comprando, as empresas continuam vendendo e, bem… e a mercadoria é a mesma. Mas saboreamos sorridentes nossos desengonçados sanduiches enquanto pensamos vagalmente: “A justiça foi feita!”.

*Chomp!*

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